
A primeira atividade do FloriCannabis ConexõeS aconteceu no dia 21 de julho, às 13:20, na sala Aroeira, do Centro de Cultura e Eventos da UFSC. Antes da abertura oficial das mesas de Diálogos, um rico espaço de intercâmbio de experiências, desafios e conquistas surgiu nas interações das 21 associações presentes.
A partir dos depoimentos dos representantes das Associações, das reflexões relativas ao Movimento e sobre os avanços e desafios do associativismo canábico, foi desenhada a cena da luta pela libertação da Planta e pelo acesso a sua medicina nos últimos 16 anos. Cena marcada por um ativismo amoroso, disputas jurídicas, prisões, desenvolvimento e divulgação da ciência e das técnicas relativas à produção e ao uso da planta e criação de vida comunitária em torno do uso da sua medicina com o surgimento das associações.
O acolhimento, a personalização dos atendimentos, a facilitação do acesso econômico aos produtos da Cannabis que são promovidos pelas associações têm beneficiado milhares de pessoas com o impacto positivo do uso da medicina da Planta, melhorando a qualidade de vida dos pacientes e familiares. São milhares de pessoas no território brasileiro. Segundo os dados do Panorama Nacional do Setor Associativo da Maconha Medicinal de 2024, foram atendidos pelas organizações participantes da pesquisa, 86.776 pacientes.
A atividade foi facilitada por integrantes do Movimento Cannabis Sem Fronteira MOCASF e da ACSF: Jean Medeiros, Paulinho Coelho e Mirella Cursino da Silva.
A conversa na roda
Paulo Coelho (ACSF / MOCASF) fez a abertura da atividade, apresentando o objetivo central do encontro que é a libertação da Planta Sagrada e explicou a metodologia que seria utilizada na Roda de Conversa. A seguir, o microfone começou a rodar e sucederam-se as apresentações e depoimentos dos representantes da Associações, trazendo narrativas emocionantes de luta e resistência para democratizar o acesso aos produtos medicinais da maconha, e de muitas realizações, resiliência e fraternidade.
Nas falas, fica evidente a motivação amorosa na criação da maioria das associações, bem como a forte participação das mulheres (mães). Normalmente o processo tem início com a doença de um familiar ou alguém próximo que necessita de um acesso alternativo à medicina da maconha e ao ter acesso e ver os resultados, as pessoas beneficiadas buscam ampliar o acesso para outros necessitados. Muitos agradecimentos foram feitos à ACSF, ao Movimento e ao CCA/UFSC por oportunizarem o evento.
Leandro Ramirez, diretor médico científico da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal – AMA-ME (MG), solicitou a colaboração de todas as associações para realizarem a pesquisa sobre as associações canábicas no site https://canabicas.info/ pois seus resultados detalham e materializam o alcance do trabalho das organizações e têm sido usados como referência para posicionamentos jurídicos. Convidou a todos para a apresentação do Panorama Nacional do Setor Associativo Canábico no Brasil, por Carlos Diego, cientista social e colaborador da ACSF e da Ama+me, que aconteceu no dia 22.
Pedro Sabaciauskis, da Santa Cannabis (SC), discorreu sobre a experiência da associação, criada em 2019, ressaltando a importância de ter um time, ter todas as ações bem documentadas, trazer a sociedade para o debate e apoiar especialistas e pesquisadores, agir baseado na Ciência. Destacou a importância da desobediência civil, das pressões sobre o Ministério da Saúde, Casa Civil e Governo Federal. Para ele, das leis estaduais criadas sobre a maconha medicinal a melhor é a de Santa Catarina, que prevê o fornecimento dos produtos por associações civis, no entanto o decreto de regulamentação restringiu a proposição. Considera que a regulação deve ser federal. Por fim, apresentou como sugestão a criação de um Comitê para desenvolver um processo de certificação própria para a produção do óleo.
Sheila Geriz, da Liga Canábica (PB) em sua fala destacou alguns pontos que considera desafiantes para o Movimento e Associações:
– Maconha livre para todos – ficar atento, pois estrategicamente a indústria usa a força do movimento associativo para se instalar.
– Maconha no SUS – criar o debate sobre como o óleo que será distribuído será produzido, garantindo a participação das associações civis. Ressaltou que “por menor que seja uma associação, a indústria quer que a gente não exista”.
– Caminho jurídico – depende do judiciário local. A regulação pode exigir um padrão industrial de produção e não considerar as características das associações, eliminando-as do processo.
– Depois do Habeas Corpus a responsabilidade aumenta – a contabilidade e outros aspectos organizacionais e administrativos devem estar corretos, pois “o que acontece com um de nós, respinga em todos”.
Marilene Esperança, da ABRARIO (RJ) falou da alegria de encontrar pessoas novas nas reuniões e da importância de unificar o propósito que é a libertação da Planta. Destacou a necessidade de atuarem sem competição e pensar que o que fazem é um movimento político e nas eleições escolherem políticos que sejam a favor da planta.
Jorge Lautert, advogado da ACSF, especialista em direito criminal e eleitoral, apresentou algumas considerações a partir de sua experiência como advogado da Cannabis sem Fronteira. Para ele, as associações têm condições diferentes entre si. Cada estado tem uma abordagem diferencial, cada estado tem o seu problema, sua dificuldade. No seu entender, a criação de uma Agência Nacional específica para lidar com a maconha seria uma forma de trazer maior harmonia e segurança jurídica ao setor.
Por fim, Mirella Cursino da Silva (ACSF/MOCASF) apresentou o Projeto Pedagógico do evento, salientando sua elaboração colaborativa e o objetivo que articula todas as ações: mudar a rota da proibição, libertando a planta. Convidou a equipe técnica, administrativa e terapêutica da ACSF a se apresentar.
Destaco das conversas três questões apresentadas: a criação de um Comitê para elaborar uma proposta de certificação autônoma para as associações; a criação de uma Agência Nacional para o setor e a participação na pesquisa permanente sobre o Panorama Nacional do Setor Associativo da Maconha na plataforma https://canabicas.info/ , pois os dados gerados são essenciais nos processos de luta política e jurídica, pois caracterizam o perfil das associações e materializam seus resultados, facilitando a argumentação nas disputas que acontecem rotineiramente.
Ao finalizar a Roda de Conversa, Jean agradeceu a presença de todos e convidou para um lanche e para a abertura oficial do evento.
Conheça a proposta do FloriCannabis lendo o Projeto Pedagógico
Associações participantes
| Associações civis e organizações presentes | UF | |
| 1 | AbraRio – Associação Brasileira de Acesso do Rio de Janeiro | RJ |
| 2 | Acolhe Cannabis – Associação de Cannabis Medicinal de Botucatu | SP |
| 3 | Acuracan – Associação de Pacientes | RS |
| 4 | Aflorem – Associação de Cannabis Medicinal | |
| 5 | AMA+ME – Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal | MG |
| 6 | Angatu – Associação de Cannabis Medicinal | MG |
| 7 | Apoiar – Associação de Apoio ao Direito à Saúde Natural | SC |
| 8 | Bendito Medicinal – Associação Brasileira de Estudos e Apoio à Cannabis | ES |
| 9 | Associação Canábica Floriplanta | SC |
| 10 | Associação Canábica Medicinal ASCAMED | RS |
| 11 | Associação Cannabis Sem Fronteiras – ACSF | SC |
| 12 | Associação Cura em Flor | PR |
| 13 | Associação Semear – Associação de Terapia e Harmonia Canábica | PR |
| 14 | Bendita Associação Canábica | RS |
| 15 | Cultivadores E Pacientes Medicinais Serra Gaúcha | RS |
| 16 | Dispensário Rural Associativo | SP[ |
| 17 | Flor da cura – Associação de Acesso Terapêutico aos Pacientes e de Fomento à Pesquisa Científica de Plantas Medicinais | RS |
| 18 | Instituto Força Dourada Cannabis Medicinal Brasil | RJ |
| 19 | Instituto Sativa Medicinal – Instituto Internacional de Pacientes de Cannabis Medicinal | PR |
| 20 | Liga Canábica – Liga Paraibana em Defesa da Cannabis Medicinal | PB |
| 21 | Movimento Cannabis Sem Fronteiras – MOCASF | SC |
| 22 | Santa Cannabis – Associação Brasileira de Cannabis Medicinal – | SC |
| 23 | Santo Amor – World Movement For Cannabis Freedom Club | SE |
| 24 | SouCannabis – Associação de Saúde Integrativa e Fitoterápica | GO |
Texto produzido por Inteligência Natural: Vivianne Amaral (54 358/SP)
