
No dia 21 de julho, às 20h, aconteceu na Sala Pitangueira, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, a Roda de conversa entre pesquisadores e estudantes universitários envolvidos e interessados em pesquisas sobre a Cannabis sativa. O objetivo foi promover a conexão e o intercâmbio de estudos e pesquisas científicas integrando estudantes e pesquisadores.
A facilitação da atividade foi realizada por Patrícia Votto Gomes, assistente social, Mestre em Educação Ambiental, Doutoranda em Ciências Humanas no PPGICH /UFSC, atualmente pesquisadora da temática “Disputas biopolíticas para os usos medicinal e recreativo da Cannabis sativa”. Sua pesquisa tem foco na identificação dos atores sociais da cena canábica e análise das narrativas circulantes. Lamentou ainda não haver um grupo estruturado de pesquisadores de Ciências Sociais que trabalham com o tema da Cannabis. Considera que o tema é transversal, atravessando diversos campos da Ciência. Patrícia convidou a todos os pesquisadores a se apresentarem em sequência na Roda, relatando sobre suas pesquisas e elencando as dificuldades que encontram.
Maria Verônica, pós-graduanda de Enfermagem, desenvolve uma pesquisa qualitativa junto aos profissionais de saúde sobre a Planta. Considera que as pesquisas são fundamentais para a bandeira da regularização do uso da Cannabis. Entre as dificuldades citou a falta de segurança jurídica e a consolidação de dados.
Gabriel Girardelo, biólogo (UFSC), com especialização em Fisiologia Vegetal, Nutrição e Desenvolvimento de Plantas (ESALQ-USP) e mestre em Recursos Genéticos Vegetais pelo PPG-RGV (UFSC), informou que atualmente é doutorando do mesmo programa de pós-graduação, realizando estudos com melhoramento genético de Cannabis sativa, integrando conhecimentos fisiológicos e moleculares para contribuir com a pesquisa e a inovação no setor. Possui interesse em estratégias de cultivo sustentável e desenvolvimento de biofábricas. Entre as dificuldades: o proibicionismo, a falta de regulação.
Explicou que 80% das publicações de pesquisas estão concentradas nas áreas de saúde humana e animal, havendo falta do conhecimento agronômico sobre a planta.
Yohan Frische, Doutor em Ciências com ênfase em Recursos Genéticos Vegetais (UFSC). Atua como Eng. Agrônomo e pesquisador na Federal de Santa Catarina, e sua pesquisa abrange micropropagação, produção de mudas livres de patógenos, identificação molecular de doenças e melhoramento genético. Considera que é importante começar com o pé direito o cultivo da planta no Brasil usando a agricultura orgânica e a biotecnologia. Entre as dificuldades, cita a falta de segurança jurídica.
Eduarda Kayser de Azevedo Bastian, fazendo doutorado em Botânica (PPG FAP) na UFSC tem interesse no cânhamo. Está envolvida com a Fibershed, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve sistemas regionais de fibras que expandem as oportunidades de implementar uma agricultura benéfica para o clima, reconstruir a manufatura regional e educar o público sobre os benefícios dos sistemas de fibras e tingimento solo-solo. Atualmente pesquisa sobre fibras, área com poucas pesquisas. Como dificuldades, citou pouca literatura sobre questões (de botânica e agronomia) que influenciam a qualidade das fibras e equívocos sobre a história do cânhamo têxtil no Brasil.
Rafael Rodrigues Barros, do Serviço Social (UFSC, está interessado na descriminalização da Cannabis. Citou como dificuldade a cultura acadêmica brasileira e local.
Amanda Cassenotte, farmacêutica, doutoranda em Neurociências, pesquisa sobre depressão e ansiedade em pacientes com doença de Parkinson. Apontou como dificuldades em seu trabalho a falta de financiamento e a rigidez acadêmica que não se encaixa no tratamento com Cannabis, citando como exemplo da rigidez a dose fixa para todos os pacientes.
Catherine Eleanor Rose, bióloga, mestranda na UFSC, pesquisas sobre potencial antioxidante e antidiabético de Cannabis sativa em modelos in vitro. Indicou como dificuldade na pesquisa: o preconceito em relação à maconha, laboratório multiusuário que dificulta muito o trabalho, falta de recursos financeiros, falta de compromisso das empresas que fornecem material com os prazos.
Sérgio Rocha, agrônomo (UFV) e geógrafo (PUCMinas), Mestre e doutorando em Fitotecnia – melhoramento de plantas, recursos genéticos e biotecnologia, com foco no melhoramento genético de Cannabis (UFV), fundador e diretor executivo da ADWA Cannabis Pesquisa e Desenvolvimento LTDA., empresa de melhoramento genético de Cannabis trouxe reflexões sobre a importância de debater como vai acontecer a produção agrícola da Cannabis para não reproduzir o modelo de exploração agrícola brasileiro. Falou que a Universidade infelizmente reproduz o sistema de desigualdade na relação com os estudantes pesquisadores: a estrutura de pesquisa tem que mudar. Para Sérgio é fundamental que nos centros de pesquisas os professores que estejam à frente sejam os que efetivamente estejam envolvidos com a Planta.
André Nobre de Faria Filho, engenheiro agrônomo e mestrando (UDESC e UFSC/ PPGEF – PODICAN) pesquisa a caracterização do perfil químico (canabinoides e terpenos) de Cannabis sativa L. Var. Fedtonic, submetidas a diferentes épocas de colheita a campo aberto no Planalto Catarinense. Entre os desafios encontrados em seu trabalho com a Planta estão: preconceitos, falta de recursos, limitações jurídicas e práticas.
Rosete Pescador, engenheira agrônoma e fisiologistas de plantas (CCA-UFSC), tem interesse em pesquisar sobre a melhor forma de propagar a Cannabis, mas devido à insegurança jurídica ainda não desenvolve pesquisas. Aponta como dificuldade a insegurança jurídica existente em relação à maconha.
Thiago Ornellas trabalha com recursos genéticos vegetais e cultivo in vitro. Para ele, a falta de segurança jurídica é o maior empecilho para o desenvolvimento da pesquisa.
A Roda de Conversa foi encerrada pela facilitadora que agradeceu a todos os participantes.
Participaram da atividade: Amanda Karoline Venceslau Cassenotte; André Nobre de Faria Filho; Camila Larsen da Cruz; Caroline Gheller; Catherine Eleanor Rose; Eduarda Kayser de Azevedo Bastian; Gabriel Girardelo; Gustavo Lopes Novaes de Oliveira; Gustavo Rufatto Comin; Heitor Flores Lizarelli; Julia Spengler; Karen Viana Freitas; Maria Verônica; Marlene Grade; Patricia Votto Gomes; Rafael Rodrigues Barros; Rosete Pescador; Sergio Rocha; Thiago Ornellas; Yohan Fritsche.
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Texto produzido por Inteligência Natural: Vivianne Amaral, 2025 (54
