Panorama e ConexõeS

O Panorama Nacional do Setor Associativo Canábico e apresentação dos facilitadores das atividades


A última atividade do encontro aconteceu às 18:00 do dia 22 de julho e reuniu o cientista social Carlos Diego, gestor de Internet da AMA+ME e da ACSF e os facilitadores das atividades paralelas ao evento: a oficina de Cânhamo, o acolhimento e consulta de pacientes, a recreação infantil. E os facilitadores das Rodas de Conversa.

Panorama Nacional do Setor Associativo da Maconha Medicinal no Brasil

O cientista social Carlos Diego, representando a AMA  Me apresentou a plataforma  Canabicas.info, criada com o objetivo de fornecer dados qualificados  sobre o setor associativo da Maconha Medicinal no Brasil, para subsidiar a tomada de decisões e a criação de políticas públicas para o setor e mostrar o que está sendo feito pelas associações. 

Explicou que o método utilizado  é pesquisa exploratória e descritiva e a estratégia tem sido mobilizar, desde 2023, ano em que a pesquisa foi iniciada, associações, comunidades, grupos, coletivos, clubes, comunidades tradicionais, federações e outros arranjo associativos  com  um ponto comum.  Para participar basta acessar o site e preencher o formulário digital. 

Os princípios que regem a pesquisa são: Cannabis é maconha; anomização garantida, sem comparações entre as organizações e pessoas e natureza são sujeitos de direito.

Carlos Diego informou que O Panorama Nacional de 2024 teve papel relevante na construção da regulação da Cannabis no país, sendo citado no objeto do Incidente de Assunção de Competência 16 (IAC 16), protocolado pela Advocacia-Geral da União (AGU) em 19/05/2025, denominado Plano de Ação para Regulação e Fiscalização do Acesso a Tratamentos com Fármacos a base de Cannabis. Pela primeira vez de forma textual, a União reconheceu o setor associativo e os saberes tradicionais como parte fundamental na construção da Política Nacional da Cannabis.


Diante da relevância  que as informações da plataforma alcançaram estão mobilizando mais organizações canábicas para que  respondam a pesquisa  na plataforma para que os dados sejam constantemente atualizados para 2025.

Apresentação dos facilitadores das atividades

Na sequência, os facilitadores e facilitadoras das atividades paralelas, que aconteceram durante a programação dos Diálogos, se apresentaram, juntamente com os que facilitaram as Rodas de Conversa.

Jean Medeiros (ACSF e MOCASF) reforçou o convite para a participação na pesquisa e convidou Patrícia Votto Gomes para se apresentar. 

Patrícia Votto Gomes (Doutoranda em Ciências Humanas no PPGICH/UFSC), facilitou a Roda de Conversa Estudantes Pesquisadores Canábicos. Informou que seu projeto de pesquisa é sobre a disputa Biopolítica em torno da Cannabis e que é uma ativista, não acreditando em Ciência neutra. 

Explicou que na Roda de Conversa os estudantes e pesquisadores  apresentaram a pesquisa em que estão envolvidos e os desafios, elencados a seguir: a insegurança jurídica; a inexistência de um grupo  específico sobre Cannabis na área de Ciências Sociais;  a criminalização da planta e o estigma de maconheiro; os professores que lideram as pesquisas deveriam ter conhecimento e experiência no tema; recursos financeiros e a crise financeira das Universidades;  falta de estrutura das Universidades para a pesquisa; falta de bolsas de pesquisa;  poucas universidades podem plantar; frustração nas pesquisas devido às restrições, pois os estudantes acabam fazendo pesquisas que não são aquelas que queriam devido ao proibicionismo; preocupação com a regulamentação; cuidar para que o modelo de produção de conhecimento não seja explorador de mão de obra barata (estudantes e pesquisadores); a estrutura da Pesquisa nas Universidade cria privilégios; o oportunismo de alguns pesquisadores que não davam importância ao tema e agora com sua ascendência passaram a se interessar.

Em seguida, o médico Lene Francisco de Carvalho (Núcleo Médico ACSF)  se apresentou. Foi responsável pela atividade de  Acolhimento a pacientes de Cannabis, consulta e prescrição. Apresentou-se como médico prescritor, e falou sobre sua experiência clínica com a maconha, em especial nos casos de dor. Conclui reforçando a necessidade  da liberação imediata  do uso medicinal da Planta e da reparação social. 

A apresentação seguinte foi do oficineiro Lucas Ezias de Abreu, da oficina “Uso Integral da Fibra de Cânhamo”, que revelou estar emocionado por estar participando do FloriCannabis. Vem integrando e aplicando as experiências e técnicas do bambu, com a Cannabis. Trabalha com bambu desde 2011, quando ingressou no Projeto Bambu da Unesp de Bauru. Ressaltou a necessidade da liberação e da regulação da maconha e  considerou preocupante que as abordagens do Estado brasileiro privilegiam o óleo importado. Explicou que no evento focou na fibra de Cânhamo e que é um pesquisador  que não consegue avançar em seus projetos devido à falta de regulação e acesso à Planta. É um jardineiro. Desenvolveu uma prótese de  bambu e cânhamo, mais sustentável que as próteses convencionais. É secretário da Associação Brasileira do Bambu, BambuBR.

Jean Medeiros ao encerrar a sessão fez um agradecimento especial a todos cultivadores e às cultivadoras que mantiveram a chama acesa. Durante os 100 anos de proibição continuaram cultivando, germinando sementes, cruzando genética e se encorajando mutuamente para continuar. Pediu uma salva de palmas para os jardineiros e jardineiras. Falou sobre a importância de tudo que aconteceu  durante o FloriCannabis, tudo o que foi falado e o que foi nutrido. Convidou a todos e todas para que levassem estes conhecimentos às pessoas que estão lá fora, que estão na periferia, pois eles necessitam deste conhecimento.

Encerramento

Após a conclusão da sessão dos facilitadores, os anfitriões Jean Medeiros, pela Associação Cannabis sem Fronteira,  Paulo Coelho, pelo Movimento Cannabis Sem Fronteira e a professora Marilene Grado pelo Centro de Ciências Agrárias CCA/UFSC,  fizeram o encerramento das atividades, agradecendo a todos e todas e convidaram os presentes para o show de encerramento no salão, com Ras Kadhu e banda Jah I Has. 

Conheça a proposta do FloriCannabis lendo o Projeto Pedagógico

Texto produzido por Inteligência Natural: Vivianne Amaral, 2025 (54 358/SP)

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